sexta-feira, 20 de abril de 2012
Capitulo 2
A aula de português acabou e logo começou a de matemática.
O professor de matemática provavelmente era o mais novo de todos da escola, pois tinha 26 anos. Ele sempre vestia calças jeans e um casaco de couro. Não parece bem a vestimenta apropriada para um professor, ainda mais de matemática. Ninguém nunca reclamou.
-E ai professor, beleza? - Ruan também é um pouco puxa saco.
- Oi Ruan, fez os deveres que eu deixei na aula passada? O nome do professor era João. Na sala ele parecia falar uma língua muito estranha e diferente, a lingua da matematica. Eu fazia o possível para entender, mas de vez em quando eu era obrigado a pedir a ajuda do Ruan.
-Claro professor!
-Ótimo!
Ser bom com linguística não ajuda nada em matemática, muito menos saber falar latim.
Quando eu era pequeno, comecei a estudar latim, pois eu achei que seria divertido e acabei aprendendo sobre que se tem pra saber sobre esta língua morta. Também comecei a estudar inglês e frequentemente tento aprender um pouco mais sobre outras línguas tipo alemão e até mesmo o português.
Christofer parecia estar tão confuso quanto eu. Só duas pessoas naquela sala pareciam estar entendendo. Ruan e Alice. A menina nova estava resolvendo com facilidade em seu caderno, todas as questões dadas pelo professor. Isso era incrível.
Após muitos números e explicações complicadas, o professor João recomeçou a falar nossa língua.
-Alunos, quando terminar esta aula vamos todos para a homenagem de aniversario da escola.
Mais uma vez pode-se ouvir o uníssono de aaaaaaaaa de toda a sala, inclusive o meu, pois eu odeio essas homenagens. É só um monte de gente em um ginásio fingindo que se importa com quantos anos a escola faz.
-Vamos turma, são só alguns minutos. Façam esse esforço. Ou vocês preferem ter aula? -Toda a sala deu respostas diferentes, mas todas com o mesmo objetivo: NÃO!
O sinal tocou. Todos se levantaram e formaram fila, de um lado meninas do outros meninos. Fomos até a quadra de esportes guiados pelo professor João.
A quadra de esportes é um lugar bem grande, o teto é de concreto, mas tem algumas janelas de vidro que ficam ao lado de grandes e potentes lâmpadas. As paredes como em toda a escola são verdes. Normalmente há redes, cestas e vários outros equipamentos de educação física espalhados pelo espaço, mas hoje tudo foi retirado para a multidão de alunos entrarem. Já havia varias turmas lado a lado em filas, cada uma delas supervisionada por um professor. Ao fundo da quadra tinha um palco de mais ou menos um metro e meio de altura. Nele estava à diretora, uma mulher bem alta e muito magra. Parecia ter uns 50 anos. Ela normalmente usava vestidos longos e aquele dia não foi diferente. O vestido era bem colorido, mas tambem elegante. O professor de matemática levou minha turma até a frente do palco, junto com as outras. Depois disso ele subiu no palco junto à diretora, seguido pelo professor Tulio e a professora Amanda de artes.
O ginásio estava uma bagunça, e a diretora tomou a iniciativa de começar seu discurso.
-Bom dia alunos! - A bagunça diminuiu, mas não parou.
Ela falou ainda mais alto e o eco do ginásio potencializou sua voz.
-Bom dia alunos!
Todos ficaram quietos, alguns alunos até se assustaram. A diretora deu um sorriso de satisfação e continuou.
-Como todos sabem, hoje é um dia muito especial. Hoje é o aniversario da nossa escola!
Essa frase foi repetida varias vezes pelo eco do ginásio. O silencio continuou por mais alguns segundos até que uma coisa totalmente inesperada aconteceu. A parede do lado direito explodiu!
A gritaria começou. Todos começaram a correr para a saída. Eu teria corrido também, mas alguma coisa me disse para ficar. Ruan e Christofer começaram a correr para fora. Eu os segui.
- Ruan, Christofer! Esperem! -gritei.
Os dois olharam para trás.
-Vem logo Augusto. -respondeu Ruan desesperado.
Os alcancei e puxei-os pelo braço para o canto da quadra.
-Me larga. Temos que sair daqui!
Os olhei serio.
-Temos que ficar. -Ambos me pareciam curiosos.
Ouve outra explosão, mas agora foi no teto. Ao olhar para a parede do lado direito me senti dentro de uma das minhas histórias, pois os seres que estavam entrando no ginásio eram muito surreais.
Eram cinco. Não pude distinguir entre homens ou mulheres. Eles usavam capas pretas que iam até os pés. Seus rostos estavam cobertos por máscaras de um tipo de pedra negra, que parecia carvão. Estes seres levantaram o braço direito todos ao mesmo tempo e reparei que tinham luvas da mesma pedra de suas máscaras.
Os professores antes no palco, agora estavam no meio do ginásio. A diretora se encontrava atrás deles. Olhei para os lados. Ruan estava com um sorriso estranho e Christofer tinha no rosto uma expressão que eu não reconheci. Parecia uma mistura de medo e curiosidade.
Tulio e João ficaram lado a lado, como se estivessem se preparando para uma batalha. João abriu seu casaco de couro. Do bolso interno ele tirou um objeto que parecia ser um transferidor de 180 graus. Mas aquele transferidor era muito maior, tinha no mínimo o triplo do tamanho de um normal, alem de parecer incrivelmente mais afiado na parte superior. O professor Tulio por sua vez, abriu sua misteriosa bolsa de couro. De lá tirou um livro grande e marrom. Aquele livro era bem estranho, pois em sua capa havia pedras coloridas. Os dois professores deram um passo à frente e encararam os seres de preto.
Aquela luta parecia injusta, afinal eram dois contra cinco! Os seres de preto não se importaram muito com esse detalhe, pois se aproximaram ainda mais dos professores. Eles estavam a uns 15 metros quando Tulio abriu seu livro. As pedras da capa começaram a soltar um brilho fraco. O professor virou as paginas rapidamente e deu um sorriso de divertimento quando pareceu achar o que procurava.
Christofer cochichou para mim.
-Augusto. O que será que esta acontecendo aqui?
-Eu não faço a mínima idéia cara. -respondi.
Tulio levantou seu braço esquerdo, o qual não estava segurando o livro e gritou uma frase em latim.
Tudo ficou silencioso por alguns instantes. O chão começou a tremer e depois a se abrir. Uma imensa rachadura se formou entre os professores e os estranhos encapuzados. Desta rachadura os vários canos que antes estavam abaixo do ginásio começaram a emergir. Toda a água que eles transportavam jorou com uma força impressionante na direção dos estranhos.
Aquela era a cena mais incrível que eu já havia visto na minha vida até o momento. A água chegou perto dos estranhos, mas com um rápido movimento todos eles escaparam. Os canos pararam de jorar água. Parecia que havia chegado à vez do outro time atacar. Os encapuzados levantaram novamente o braço direito. As lâmpadas do teto começaram a piscar e um pequeno furacão de cinzas surgiu na frente de cada um deles. Estes pequenos furacões cresceram um pouco e depois explodiram! Os encapuzados sumiram nas cinzas de seus próprios furacões só o que se podia ver naquela direção era uma nuvem de escuridão.
Eu ouvi um grito.
-Ruan, Christofer, Augusto. Saiam daqui agora! -era o professor João que havia gritado.
-Professor o que esta acontecendo? -perguntei.
-Agora não há tempo a tempo para explicações. Só saiam daqui!
Virei-me, estava determinado a sair do ginásio e meus amigos estavam seguindo meu exemplo. Mas então eu ouvi aqueles uivos. Olhei para trás e das cinzas enormes lobos saltaram. Aqueles animais não eram normais, pois seus corpos eram de fumaça. As únicas partes que pareciam palpáveis em seus corpos eram as grandes armaduras de pedra que os recobriam.
João segurou seu transferidor com força e correu em direção aos animais aparentemente malignos. Todos os lobos pularam na direção do professor de matemática. Se você já assistiu algum filme sobre artes marciais vai saber do que eu estou falando. João se esquivou de todos os seus adversários como se pudesse prever o que eles fariam, foi incrível. Ruan começou a gritar ao meu lado.
-Isso ao professor! Acaba com esses lobinhos, eles não são de nada!
João deu um sorriso de satisfação ao ouvir seu melhor aluno torcendo por ele. Tulio começou novamente a virar as paginas de seu livro. Apos achar a pagina certa, lançou novamente o braço esquerdo para frente.
Desta vez o ginásio todo começou a tremer. As janelas do teto se estilhaçaram. Fortes ventos começaram a soprar dentro do ginásio e todas as cinzas que antes encobriam os estranhos encapuzados se dissiparam.
O vento forte parou. Olhei para onde estavam as cinzas e levei um susto ao ver que os seres que estavam ali haviam sumido! Ruam e Christofer tambem tinham percebido isso.
-Cade eles? -Perguntou Christofer.
-Eu não faço ideia! -Ruam disse sobressaltado.
Agora João havia parado de se esquivar dos estranhos lobos. Ele parou em frente dos seus adversarios caninos e os encarou. Um enorme e vermelho X apareceu acima da cabeça do professor de matematica.
-Multiplicar! -ele gritou.
De repente varios outros Joãos começaram a aparecer ao lado do original. Ele tinha se clonado!
Os lobos não pareceram se intimidar com os 5 homens que estavam os encarando agora.
Tanto os professores de matematica quanto os lobos começaram a correr na mesma hora, um na direção do outro.
Os animais tentaram morder os Joãos, mas os professores eram mais rapidos e deram socos com seus transferidores na barriga dos lobos.
Só um lobo conseguiu se esquivar do soco. Este lobo correu em direção de Tulio que não teve tempo de se defender.
Com o susto Tulio acabou jogando seu grande livro para cima. Aquele incrivel livro voou por alguns segundos e depois caiu com um estrondo a alguns metros de onde eu e meus amigos estavamos.
A luta continuava Tulio segurava com dificuldade seu adversario pelo escudo de pedra e os Joãos batiam com força nas armaduras dos outros 4 lobos.
Corri por impulso e curiosidade ao encontro do misterioso livro.
-Augusto espere! -pude ouvir Christofer gritar para mim.
Peguei o grande livro que por incrivel que pareça era leve. Abri-o.
Logo na primeira pagina pude ver que tudo o que estava escrito ali estava em uma lingua diferente. Era latim!
Folhei um pouco e encontrei quanse na metade do livro uma linha a qual estava escrito a frase esféra flamejante em latim.
Lembrei dos movimentos do professor e os repeti.
Todos olharam para mim quando gritei a frase e joguei meu braço esquerdo para frente.
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