quarta-feira, 25 de abril de 2012

Capitulo 3


No começo nada aconteceu, mas depois de alguns instantes uma energia muito forte começou a se acumular a minha frente.
Todos os lobos se soltaram de seus adversários e vieram andando em minha direção. A energia que estava na minha frente virou física e ficou vermelha.
Uma dor lancinante se formou em meu peito e foi crescendo de acordo com a energia a minha frente, que agora estava em forma de bola.
Os lobos aumentaram o ritmo de seus passos. Olhei para os professores, todos estavam com o olhar fixo em mim. Principalmente Tulio, que parecia assustado com o que eu estava fazendo.
Me ajoelhei, pois a dor só aumentava. Ruan e Christifer correram para o meu lado.
-Augusto! Como você esta fazendo isso? -perguntou Christofer  impressionado.
-Eu não sei. Só fiz. -respondi com dificuldade afinal eu estava me sentindo muito fraco.
Os lobos agora estavam a apenas 20 metros de mim. João iria me ajudar se os homens encapuzados não tivessem começado a laçar raios negros na direção dele. João se esquivava com agilidade e eventualmente  desviava os raios  com seu grande transferidor.
Tulio correu até mim dando a volta nos lobos.
-Augusto, você tem que parar agora com isso! -ele gritou.
-Mas como professor? -respondi ainda mais fraco.
-O livro esta tirando a sua energia. Interfira o fluxo. Eu sei que você consegue.
A este ponto a energia a minha frente já tinha quase 2 metros de diâmetro e já parecia ter uma força destruidora.
-Augusto... -Falou Ruan puxando minha camisa.
-Que foi! -respondi nervoso.
-Acho que temos problemas maiores para nos preocupar.
Ele apontou os lobos que estavam se preparando para atacar.
João mesmo estando muito ocupado na sua própria luta, olhou para nós e ao ver a situação gritou.
-Ruan! Pegue isso e proteja a todos. Ele tirou de mais um bolso interno uma régua enorme e a lançou na direção de Ruan.
A regua de 1 metro e vinte caiu próximo a  Ruan, que a pegou.
Pude ver melhor como ela era. Tinha no começo um tipo de borracha que eu imaginei ser a parte onde onde se segura o objeto. Todo o lado direito da régua parecia ser muito afiado. Essa afiadura ia até a ponta. Todos estes atributos faziam com que aquilo parecesse uma espada.
-Haha. Agora sim, ninguém me segura! -Ruan comemorou.
Por mais que as coisas pareçam ruins, não se preocupe! Pois elas sempre podem piorar.
Agora Ruan estava se se sentindo um herói com sua nova espada a mão.
Christofer estava atrás de mim, ele não parecia muito feliz com a ideia de Ruan com um objeto cortante, mas não pode fazer nada quando nosso amigo correu em direção dos lobos negros.
 A este ponto, eu já não podia mais suportar a bola flamejante que crescia as custas da minha energia. E foi nesse momento de total confusão que tudo me pareceu bem claro.
Concentrei minhas ultimas forças no livro, ele brilhou com ainda mais intensidade. Lancei a bola de fogo gigante na direção dos nossos adversários encapuzados.
Eu gostaria de ter ficado consciente mais um pouco para poder ver como tudo ia terminar. Infelizmente desmaiei de exaustão, mas não antes de ver uma figura magra e alta, descendo pelo novo teto solar do ginásio.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Capitulo 2


A aula de português acabou e logo começou a de matemática.
O professor de matemática provavelmente era o mais novo de todos da escola, pois tinha 26 anos. Ele sempre vestia calças jeans e um casaco de couro. Não parece bem a vestimenta apropriada para um professor, ainda mais de matemática. Ninguém nunca reclamou.
-E ai professor, beleza? - Ruan também é um pouco puxa saco.
- Oi Ruan, fez os deveres que eu deixei na aula passada? O nome do professor era João. Na sala ele parecia falar uma língua muito estranha e diferente, a lingua da matematica. Eu fazia o possível para entender, mas de vez em quando eu era obrigado a pedir a ajuda do Ruan.
-Claro professor!
-Ótimo!
Ser bom com linguística não ajuda nada em matemática, muito menos saber falar latim.
Quando eu era pequeno, comecei a estudar latim, pois eu achei que seria divertido e acabei aprendendo sobre que se tem pra saber sobre esta língua morta. Também comecei a estudar inglês e frequentemente tento aprender um pouco mais sobre outras línguas tipo alemão e até mesmo o português.
Christofer parecia estar tão confuso quanto eu. Só duas pessoas naquela sala pareciam estar entendendo. Ruan e Alice. A menina nova estava resolvendo com facilidade em seu caderno, todas as questões dadas pelo professor. Isso era incrível.
Após muitos números e explicações complicadas, o professor João recomeçou a falar nossa língua.
 -Alunos, quando terminar esta aula vamos todos para a homenagem de aniversario da escola.
Mais uma vez pode-se ouvir o uníssono de aaaaaaaaa de toda a sala, inclusive o meu, pois eu odeio essas homenagens. É só um monte de gente em um ginásio fingindo que se importa com quantos anos a escola faz.
-Vamos turma, são só alguns minutos. Façam esse esforço. Ou vocês preferem ter aula? -Toda a sala deu respostas diferentes, mas todas com o mesmo objetivo: NÃO!
O sinal   tocou. Todos se levantaram e formaram fila, de um lado meninas do outros meninos. Fomos até a quadra de esportes guiados pelo professor João.
A quadra de esportes é um lugar bem grande, o teto é de concreto, mas tem algumas janelas de vidro que ficam ao lado de grandes e potentes lâmpadas. As paredes como em toda a escola são verdes. Normalmente há redes, cestas e vários outros equipamentos de educação física espalhados pelo espaço, mas hoje tudo foi retirado para a multidão de alunos entrarem. Já havia varias turmas lado a lado em filas, cada uma delas supervisionada por um professor. Ao fundo da quadra tinha um palco de mais ou menos um metro e meio de altura. Nele estava à diretora, uma mulher bem alta e muito magra. Parecia ter uns 50 anos. Ela normalmente usava vestidos longos e aquele dia não foi diferente. O vestido era bem colorido, mas tambem elegante. O professor de matemática levou minha turma até a frente do palco, junto com as outras. Depois disso ele subiu no palco junto à diretora, seguido pelo professor Tulio e a professora Amanda de artes.
O ginásio estava uma bagunça, e a diretora tomou a iniciativa de começar seu discurso.
 -Bom dia alunos! - A bagunça diminuiu, mas não parou.
Ela falou ainda mais alto e o eco do ginásio potencializou sua voz.
-Bom dia alunos!
Todos ficaram quietos, alguns alunos até se assustaram. A diretora deu um sorriso de satisfação e continuou.
-Como todos sabem, hoje é um dia muito especial. Hoje é o aniversario da nossa escola!
Essa frase foi repetida varias vezes pelo eco do ginásio. O silencio continuou por mais alguns segundos até que uma coisa totalmente inesperada aconteceu. A parede do lado direito explodiu!
A gritaria começou. Todos começaram a correr para a saída. Eu teria corrido também, mas alguma coisa me disse para ficar. Ruan e Christofer começaram a correr para fora. Eu os segui.
- Ruan, Christofer! Esperem! -gritei.
Os dois olharam para trás.
-Vem logo Augusto. -respondeu Ruan desesperado.
Os alcancei e puxei-os pelo braço para o canto da quadra.
-Me larga. Temos que sair daqui!
Os olhei serio.
-Temos que ficar. -Ambos me pareciam curiosos.
Ouve outra explosão, mas agora foi no teto. Ao olhar para a parede  do lado direito me senti dentro de uma das minhas histórias, pois os seres que estavam entrando no ginásio eram muito surreais.
Eram cinco. Não pude distinguir entre homens ou mulheres. Eles usavam capas pretas que iam até os pés. Seus rostos estavam cobertos por máscaras de um tipo de pedra negra, que parecia carvão. Estes seres levantaram o braço direito todos ao mesmo tempo e reparei que tinham luvas da mesma pedra de suas máscaras.
Os professores antes no palco, agora estavam no meio do ginásio. A diretora se encontrava atrás deles. Olhei para os lados. Ruan estava com um sorriso estranho e Christofer tinha no rosto uma expressão que eu não reconheci. Parecia uma mistura de medo e curiosidade.
Tulio e João ficaram lado a lado, como se estivessem se preparando para uma batalha. João abriu seu casaco de couro. Do bolso interno ele tirou um objeto que parecia ser um transferidor de 180 graus. Mas aquele transferidor era muito maior, tinha no mínimo o triplo do tamanho de um normal, alem de parecer incrivelmente mais afiado na parte superior. O professor Tulio por sua vez, abriu sua misteriosa bolsa de couro. De lá tirou um livro grande e marrom. Aquele livro era bem estranho, pois em sua capa havia pedras coloridas. Os dois professores deram um passo à frente e encararam os seres de preto.
Aquela luta parecia injusta, afinal eram dois contra cinco! Os seres de preto não se importaram muito com esse detalhe, pois se aproximaram ainda mais dos professores. Eles estavam a uns 15 metros quando Tulio abriu seu livro. As pedras da capa começaram a soltar um brilho fraco. O professor virou as paginas rapidamente e deu um sorriso de divertimento quando pareceu achar o que procurava.
Christofer cochichou para mim.
-Augusto. O que será que esta acontecendo aqui?
-Eu não faço a mínima idéia cara. -respondi.
Tulio levantou seu braço esquerdo, o qual não estava segurando o livro e gritou uma frase em latim.
Tudo ficou silencioso por alguns instantes. O chão começou a tremer e depois a se abrir. Uma imensa rachadura se formou entre os professores e os estranhos encapuzados. Desta rachadura os vários canos que antes estavam abaixo do ginásio começaram a emergir. Toda a água que eles transportavam jorou com uma força impressionante na direção dos estranhos.
Aquela era a cena mais incrível que eu já havia visto na minha vida até o momento. A água chegou perto dos estranhos, mas com um rápido movimento todos eles escaparam. Os canos pararam de jorar água. Parecia que havia chegado à vez do outro time atacar. Os encapuzados levantaram novamente o braço direito. As lâmpadas do teto começaram a piscar e um pequeno furacão de cinzas surgiu na frente de cada um deles. Estes pequenos furacões cresceram um pouco e depois explodiram! Os encapuzados sumiram nas cinzas de seus próprios furacões só o que se podia ver naquela direção era uma nuvem de escuridão.
Eu ouvi um grito.
-Ruan, Christofer, Augusto. Saiam daqui agora! -era o professor João que havia gritado.
-Professor o que esta acontecendo? -perguntei.
-Agora não há tempo a tempo para explicações. Só saiam daqui!
Virei-me, estava determinado a sair do ginásio e meus amigos estavam seguindo meu exemplo. Mas então eu ouvi aqueles uivos. Olhei para trás e das cinzas enormes lobos saltaram. Aqueles animais não eram normais, pois seus corpos eram de fumaça. As únicas partes que pareciam palpáveis em seus corpos eram as grandes armaduras de pedra que os recobriam.
João segurou seu transferidor com força e correu em direção aos animais aparentemente malignos. Todos os lobos pularam na direção do professor de matemática. Se você já assistiu algum filme sobre artes marciais vai saber do que eu estou falando. João se esquivou de todos os seus adversários como se pudesse prever o que eles fariam, foi incrível. Ruan começou a gritar ao meu lado.
-Isso ao professor! Acaba com esses lobinhos, eles não são de nada!
João deu um sorriso de satisfação ao ouvir seu melhor aluno torcendo por ele. Tulio começou novamente a virar as paginas de seu livro. Apos achar a pagina certa, lançou novamente o braço esquerdo para frente.
Desta vez o ginásio todo começou a tremer. As janelas do teto se estilhaçaram. Fortes ventos começaram a soprar dentro do ginásio e todas as cinzas que antes encobriam os estranhos encapuzados se dissiparam.
O vento forte parou. Olhei para onde estavam as cinzas e levei um susto ao ver que os seres que estavam ali haviam sumido! Ruam e Christofer tambem tinham percebido isso.
-Cade eles? -Perguntou Christofer.
-Eu não faço ideia! -Ruam disse sobressaltado.
Agora João havia parado de se esquivar dos estranhos lobos. Ele parou em frente dos seus adversarios caninos e os encarou. Um  enorme e vermelho X apareceu acima da cabeça do professor de matematica.
-Multiplicar! -ele gritou.
De repente varios outros Joãos começaram a aparecer ao lado do original. Ele tinha se clonado!
Os lobos não pareceram se intimidar com os 5 homens que estavam os encarando agora.
Tanto os professores de matematica quanto os lobos começaram a correr na mesma hora, um na direção do outro.
Os animais tentaram morder os Joãos, mas os professores eram mais rapidos e deram socos com seus transferidores na barriga dos lobos.
Só um lobo conseguiu se esquivar do soco. Este lobo correu em direção de Tulio que não teve tempo de se defender.
Com o susto Tulio acabou jogando seu grande livro para cima. Aquele incrivel livro voou por alguns segundos e depois caiu com um estrondo a alguns metros de onde eu e meus amigos estavamos.
A luta continuava Tulio segurava com dificuldade seu adversario pelo escudo de pedra e os Joãos batiam com força nas armaduras dos outros 4 lobos.
Corri por impulso e curiosidade ao encontro do misterioso livro.
-Augusto espere! -pude ouvir Christofer gritar para mim.
Peguei o grande livro que por incrivel que pareça era leve. Abri-o.
Logo na primeira pagina  pude ver que tudo o que estava escrito ali estava em uma lingua diferente. Era latim!
Folhei um pouco e encontrei quanse na metade do livro uma linha a qual estava escrito a frase esféra flamejante em latim.
Lembrei dos movimentos do professor e os repeti.
Todos olharam para mim quando gritei a frase e joguei meu braço esquerdo para frente.

Capitulo 1


Para mim a escola nunca foi problema, muito menos os professores, bom pelo menos até alguns dias atrás. Eu estava indo para escola a pé, afinal tenho só 13 anos.
A minha camisa de uniforme branca cheirava muito bem, pois minha mãe havia lavado no dia anterior. Estava um dia bem normal, céu nublado e pouco vento, por isso não vesti meu casaco.
Ir sozinho para a escola sempre me fazia bem, me dava tempo para pensar em tudo, principalmente nas minhas historias. Eu adoro criar historias, as quais eu sou um grande herói com poderes especiais e armas muito incríveis!
Normalmente nessas historias eu tenho o mesmo físico, sou alto e tenho o cabelo castanho escuro desgrenhado, uso óculos, como na vida real, isso quase nunca me atrapalha. Quando cheguei próximo a escola me imaginei em uma grande guerra onde eu era o general e comandava um poderoso exercito rumo à vitória.
Ao chegar reparei que o colégio era uma grande estrutura de tijolos com grades na entrada dos alunos, a cor verde nas paredes dava um estilo mais leve e juvenil, mesmo o prédio sendo velho.
Entrei pelo portão e dei alguns passos. Logo vi meus unicos amigos. Christofer Santos e Ruan Sebam.
Christofer é um cara negro e da mesma altura que eu, ele tem os olhos de cor castanho avermelhado e o cabelo com penteado afro bem escuro. Christofer é muito calmo, mas adora fazer ironias com as situações do cotidiano. Ele é muito bom em artes e esta habilidade lhe rende as melhores notas da sala na matéria. Ruan, bem ao contrario de christofer, é baixo e de pele branca. Tem o nariz longo e fino e as orelhas pontudas o que o faz parecer um ser místico. Seu cabelo é bem curto e loiro diferente de seus olhos caramelados. Ele é ótimo em matemática, pois pensa muito rápido e tem um raciocínio lógico bem apurado. Ruan também luta caratê e é muito bom nisso.
Eu sou o líder do nosso grupo, não só por eu ser um bom líder naturalmente, mas também pelo fato de eu odiar receber ordens, muito menos de pessoas da minha idade. Ninguém discorda da minha liderança o que é bom.
Nós três, por incrível que pareça, somos os nerds da nossa classe (se não formos da escola inteira). Pra nós, ser nerd não quer dizer, ser antissocial, mas sim ser mais seletivo com a escolha dos amigos e ter boas notas, claro.
Naquele dia algumas crianças estavam correndo. Uma delas quase esbarou em mim enquanto eu ia em direção aos dois.
Normalmente as pessoas não me consideram nerd, pois eu tenho um ótimo convívio com todos, desde professores até as meninas. Christofer e Ruan têm mecanismos próprios de defesa quando o assunto é meninas. O Ruan quando tem que falar com qualquer uma delas começa a falar grosseiramente. Christofer tem varias reações diferentes. Às vezes ele começa a rir do nada. Às vezes fica mudo. É muito engraçado ve-los tentados falar com elas.
-Bom dia gente!- Ruan foi o primeiro a responder.
-E ai Augusto de boa?
O Ruan tinha esse jeito meio informal de falar, eu às vezes até imito algumas frases, é divertido falar desse jeito.
-Sim, estou bem.
 -E você cara? -Perguntei á Christofer.
- Eu até estou bem.- Respondeu ele. - Tirando é claro, o fato de a próxima aula ser português.
Eu dei uma risadinha, afinal, para mim português sempre foi uma matéria muito fácil. Fazer textos, falar em publico e interpretar historia é simples.
-Você ri porque é ótimo em português né Augusto, mas pra mim que não sou tão bom...
O sinal tocou, e todos começaram a ir para suas salas de aula.
-Melhor irmos andando.
- É chegou a hora da tortura.- Ironizou Christofer.
-Que nada Christofer, depois vem a aula de matemática!
-Eba! (outra ironia de Christofer).
-Só porque você não é tão bom não precisa ser irônico cara.
- Ele tem razão, matemática é uma droga! -Concordei com Christofer.
-Vocês dois estão chatos hoje hein.
Depois que Ruan disse isso fomos em silencio para aula.
Chegamos à sala. Um lugar amplo. Cheio de cadeiras e mesas. Algumas novas e outras quase destruidas. Ao lado da porta havia um grande quadro negro sem nada escrito. No fundo algumas prateleiras com livros de todos os tamanhos e matérias.
O sinal havia acabado de bater, mas os grupos de alunos já estavam formados. Eu e meus amigos sentamos em nossos lugares.
O professor de português chegou à sala, mas como sempre ninguém percebeu. Levantei-me e andei até ele.
- Bom dia professor!
Ao fundo da sala pude ouvir alguns risos e comentário sobre eu ser um puxa saco.
- Bom dia Augusto. pronto para a aula?
O professor escorou-se em sua mesa, como sempre fazia quando dava aula. Neste momento pude reparar em seu visual.
Seu cabelo preto, estava bem penteado para trás, ele não parecia ter mais de 40 anos. Vestia uma blusa verde com listras brancas e uma calça jeans.
Como sempre o professor estava com sua bolsa de couro preta. Aquela bolsa era até meio misteriosa, pois era grande, mas o professor só tirava dois livros de dentro. Eu sempre quis saber o que mais ele guarda lá dentro.
- Sempre estou pronto para sua aula professor! -Respondi.
- Ótimo Augusto. sente-se então.
Quando voltei para minha cadeira Christofer não pode se segurar ao soltar este comentário.
- Augusto, você já tira as melhores notas possíveis em português, fala praticamente três línguas, é o melhor orador que eu já conheci. Porque você precisa puxar o saco do professor?
-Quantas vezes eu tenho que dizer que isso não é puxar o saco! É só ser educado.
Ruan entrou na conversa.
 -Tem certeza Augusto. Pra mim parece muito com puxação de saco mesmo.
-Tanto faz.
O Professor enfim se manifestou.
-Bom dia alunos! Vamos começar a aula. -Ouviu-se um ''aaaaaaaaaaa'' em uníssono.
 -Mas antes, quero apresentar a colega nova de vocês.
A porta se abriu e uma menina entrou na sala. Eu normalmente não faria esse tipo de comentário, mas ela era linda! Tinha cabelos cacheados de um tom marrom claro, seus olhos eram castanhos, ela tinha a pele morena magra e alta, seus lábios eram vermelhos bem vermelhos. Os caras que ficam na parte de trás da sala começaram assoviar para a menina nova. Ela deu um sorrisinho e tirou o cabelo do rosto. O professor continuou.
–Bom, alunos, o nome dela é Alice Campos e ela veio da escola mais antiga da região.
Eu já havia ouvido falar dessa escola, dizem que ela foi construída por alguns dos primeiros homens que vieram para o Brasil. Há até gente que acredita haver túneis secretos abaixo dela. “Eu não acredito nessas besteiras”.
- Alice você pode sentar... ali ao lado de Augusto. -O professor apontou para uma cadeira vazia próxima de mim.
-A Propósito Alice, meu nome é Tulio. Sou o professor de português.
A aula começou. Eu sempre presto bastante atenção, mas hoje eu estava mais interessado na menina nova. Não me leve a mal, mas eu estava curioso para saber mais sobre essa tal Alice Campos. Ela ficou quieta a aula inteira e parecia extremamente interessada no que o professor estava falando.
Senti alguém cutucar o meu braço.
 –Ei Augusto, o que você achou da novata? -Perguntou Ruan em um tom bem baixo.
-Ela é até bonitinha.-Menti. -E... O que você achou dela?
- Cara ela é a maior gata!
Christofer deu uma risada baixa - Você fala como se tivesse chance Ruan.
-Cala boca Christofer, se eu quiser essa gatinha ela entra na minha de boa.
- Duvido.- Ruan virou o rosto e fingiu estar prestando atenção na aula.